Vista de Baependi – Data Provável 1870 Foto: Arquivo Público Mineiro

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

11 DE MAIO DE 2013 - BEATIFICAÇÃO DE NHÁ CHICA


Divulgada  data da Beatificação de

 Nhá Chica 



A cerimônia de Beatificação de Francisca de Paula de Jesus Nhá Chica será no dia 11 de maio de 2013 em Baependi. A comunicação foi feita pelo Bispo da Diocese da Campanha Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho.
O Bispo noticiou a data de forma oficial na tarde desta sexta feira dia 14 de setembro no Santuário Nossa Senhora da Conceição em Baependi. 
O dia escolhido, segundo o Bispo, está em acordo com o Postulador da Causa Dr. Paollo Villota e com o Prefeito da Congregação da Causa do Santos na Santa Sé Cardeal Ângelo Amato. 
Na oportunidade o Bispo agradeceu todos que têm se empenhado neste trabalho em prol da Beatificação de Nhá Chia em especial as Irmãs Franciscanas do Senhor que cuidam do legado espíritual da Venerável há 58 anos. 
Os devotos presentes no Santuário emocionados aplaudiram a notícia e junto ao Pároco da Paróquia de Baependi Padre Douglas Baroni rezaram a oração pela Beatificação com as mãos estendidas voltadas para o túmulo de Francisca de Paula de Jesus.
-É grande nossa alegria e mais uma vez agradecemos a Deus por este momento - finalizou o Bispo. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

MOMENTOS NA PRAÇA MONSENHOR MARCOS


IGREJA MATRIZ DE BAEPENDI 
ALGUNS MOMENTOS DE SAUDADE



IGREJA MATRIZ DE BAEPENDI 
 Praça Monsenhor Marcos, em destaque o antigo coreto demolido nos anos 70


MAESTRO ELIAS SALOMÉ


MOMENTOS DO MAESTRO BAEPENDIANO
ELIAS SALOMÉ






                                               BANDO DOS CARIUNAS


                                          
Depoimento:
Meu nome é Sergio de Moraes Teixeira e também fui aluno de Elias Salomé, no mesmo tempo da Tania Cançado. Hoje moro no Rio de Janeiro. Eu era o "locutor" dos programas de televisão do maestro Elias na TV Itacolomi. Embora a foto esteja um pouco confusa, eu ali apareço tocando contrabaixo, atrás do acordeonista que está em pé, à esquerda. Por causa da orquestra, tive a oportunidade de viajar por todo o Estado de Minas Gerais, inclusive em Baependi onde tive a oportunidade de fazer serenatas junto com o Hominho.
Para mim é uma satisfação enorme, aos 65 anos de idade, ter notícias tão boas de meus antigos e inesquecíveis amigos aí das montanhas...
Parabéns pelo seu blog.
Que Deus o abençoe.

sábado, 30 de junho de 2012

BEATIFICAÇÃO DE NHÁ CHICA


Devotos e fiéis comemoram o reconhecimento do milagre de Nhá Chica 

A quinta feira 28 de junho foi histórica.  O Papa Bento XVI assinou neste dia o decreto que reconhece o milagre atribuído a Nhá Chica. O anúncio feito pelo postulador da causa no Vaticano, Paolo Villota. No mesmo instante que a notícia começou a ser divulgada o Santuário Nossa Senhora da Conceição passou a ser tomado por devotos e fiéis que emocionados comemoravam o passo final para a Beatificação de Nhá Chica. Uma missa foi rezada as 11 da manhã, seguida de um terço as três da tarde e de uma carreata pelas ruas da cidade. As 18 horas uma caminhada de fé percorreu o centro de Baependi até a Igreja Matriz onde outra Celebração Eucarística encerrou o dia festivo. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

ASSINADO DECRETO DA BEATIFICAÇÃO DE NHÁ CHICA


O PAPA BENTO XVI, ASSINOU HOJE DIA 28/06/2012 O DECRETO 

DE BEATIFICAÇÃO DE NHÁ CHICA.
Serva de Deus: HOJE SANTA DO BRASIL

Foto da antiga capela: início século XX

Foto da Igreja anos 50/60/70
Foto da Igrreja: Hoje

segunda-feira, 21 de maio de 2012

CLÓVIS MACIEL - PEQUENA HOMENAGEM


                                                         

SAGRADA ESTRADA - 21/05/2012

       A REALIDADE DE UM SONHO!

                                                               CLOVIS MACIEL - BAEPENDI



                                                                                    Clóvis Maciel



No início dos anos 80, ainda na região mineira de Baependi, Clóvis Maciel integrou grupos de estilos
 diversos,cantando em bailes, praças, escolas, seguindo então com seu trabalho solo rumo ao
 sul da Bahia e fixando-se depois no Rio de Janeiro, fazendo shows e sendo premiado em diversos
 festivais de MPB. 
Em janeiro de 1985,participou da gravação do LP Trem das Cores, e em outubro produziu seu 
primeiro disco: SAGRADA ESTRADA.
Com o cantor e compositor Dércio Marques, gravou em 1998 a folia "Santo de Reis" para o disco
TERNOS CANTADORES (Festival da Cultura Popular), produzido pelo SESC-MINAS, e participou 
também em outra faixa gravada por Saulo Laranjeira. Foi selecionado pela Prefeitura de São
 Paulo para o projeto ARTE NAS RUAS.
 Residindo e trabalhando em São Paulo desde 1991, Clóvis Maciel produziu seu LP MOINHOS em 1994.
 Em 1998 gravou seu CD É-MAIL CAIPIRA.
Teve participações em diversos programas de TV tais como Encontro Marcado e 
Blota Júnior (Bandeirantes),Som Brasil (Globo), Arrumação (Rede Brasil), Empório Brasil (SBT), 
Mutirão (Rádio USP), Viola Minha Viola (TV Cultura), Universo Feminino (Rede Mulher).

                                                                             ESTRADA SAGRADA - 1985





sábado, 21 de abril de 2012

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Para muitos, saudade!

Data: 1960
Autor: Desconhecido (Estradas de Ferro do Brasil)
Estação Ferroviária de Baependi.
Ao fundo vê-se um castelinho (na praça), onde era efetuada a distribuição
de energia elétrica do centro da cidade.
(Energia produzida pelas usinas hidrelétrica existentes no município)


sexta-feira, 20 de abril de 2012

EPHEMERIDES MINEIRAS


OURO PRETO
IMPRENSA OFFICIAL DO ESTADO DE MINAS -1897
            VOLUME IV    - (Outubro a Dezembro)
(ortografia original)


09 de Outubro de 1895  -  Lei mineira n. 3345. - Autoriza o governo a
contratar com o Dr. A ntonino Polycarpo de Meirelles Enout
e Paulo Ferreira Alves, ou com quem melhores condições
offerecer, a construção de um tramway, de bitola de 60
centimetro , do ponto mais conveniente da Estrada de Ferro
Minas e Rio até a cidade de Baependy, passando pelas
águas do Caxambú, sendo para esse fim concedido privilegio
por quarenta annos.


terça-feira, 10 de abril de 2012

REVISTA VEJA - 1969 - SELEÇÃO BRASILEIRA


Reportagens
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REVISTA VEJA                     27 de agosto de 1969
O futebol novo
   
Lápis e papel na mão, o jornalista paraguaio aproximou-se de João Saldanha levando a pergunta preparada: "O time já está escalado?" Cansado, depois de quase 22 horas de aviões e aeroportos para ir de Caracas a Assunção, Saldanha respondeu: "Está escalado, sim. Há mais de quatro meses. Para ser exato: está escalado desde fevereiro". Meio desorientado, o jornalista paraguaio saiu para um lado, encostou-se junto a um grupo de jornalistas brasileiros e, ainda perplexo, perguntou: "Desde quando a Seleção do Brasil está treinando?"
Para o espanto do jornalista paraguaio e para a alegre surpresa da própria torcida brasileira, que vê a Seleção entrar no caminho da Copa, a explicação é uma só: muita coisa mudou no futebol brasileiro. Daquele futebol, enfeitado de títulos, que não soube carregar as próprias glórias e fracassou na Inglaterra em 1966, restaram estranhamente vários jogadores e, com eles, uma grande lição de humildade. Mas, o que mudou no futebol brasileiro, se oito titulares do time de Saldanha (Carlos Alberto, Djalma Dias, Rildo, Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu) estavam entre os convocados de 1966? A Seleção do Brasil foi o bolo principal de uma grande festa - a Copa do Mundo. Cada clube, dirigente ou Estado sempre procurou tirar a fatia maior. Quando os brasileiros compareceram na qualidade de convidados especiais, como em 1958 e 1962, tudo terminou bem. Mas, quando os ingleses resolveram organizar a festa para si mesmos, o resultado para os brasileiros foi uma terrível indigestão - de cujos efeitos muita gente se lamenta ainda hoje. A primeira mudança começou aí. Perdido o tri, descobriu-se que era falsa a idéia de que bastavam onze brasileiros para arrasar qualquer adversário, decretou-se o fim dos regionalismos e até hoje ninguém se preocupou em contar quantos paulistas e quantos cariocas existem na seleção de Saldanha. Este time, que está ganhando as eliminatórias para ir ao México em 1970, pode não ser perfeito. Mas é um time que traz uma nova mentalidade para o futebol brasileiro. Nele não há lugar para estrelas ou vedetes: Pelé, o transcendental Pelé, aceita deliberadamente uma função tática quase incompatível com as suas glórias, em favor do conjunto, da vitória.
No momento em que Pelé dá exemplos desse tipo, o mínimo que se pode esperar dos outros jogadores é que sejam capazes de fazer o mesmo. Tudo isso por quê? Há uma razão aparentemente simples: a inconstância na escalação faz do jogador um homem geralmente inseguro. É segurança, acima de tudo, o que eles mais procuram num treinador. Foi isto que todos acharam em Saldanha, desde o momento em que foi chamado, pois uma de suas primeiras decisões foi anunciar o time e os reservas.
Quando perguntaram a Pelé a diferença entre a Seleção de 1958 e a de 1966 ele respondeu: "Em 1958, quem estava no banco de reservas queria estar no time, jogando. Em 1966, quem estava jogando queria estar no banco de reservas".
No barulho da placa negra de madeira queimada, balançando ao vento e rangendo com suas letras brancas, onde se lia: Hotel Lynm (concentração da Seleção Brasileira em 1966), e no rosto dos jogadores vencidos, depois da derrota derradeira contra Portugal, estavam o clima e a expressão que andara com eles por cem dias: o medo.
Pelas águas de Lambari e Caxambu, pelos morros de Teresópolis e Serra Negra, pelo sol de Espanha, o frio da Escócia e da Suécia, até as tardes negras de Liverpool, lugares por onde passou o circo do futebol brasileiro no seu roteiro do tri, procurou-se uma definição para a seleção de Carlos Nascimento e Vicente Feola. Falou-se em seleção-tergal, que senta e levanta e não amarrota em tantas viagens. Falou-se mesmo en seleção-de-mentira, ou de brincadeira por ter sido chamada no dia 1º de abril. No fim descobriu-se que ela era simplesmente a seleção-do-medo, otimista nas declarações dos cartolas, e cheia de pavor nas atitudes dos seus jogadores, nem titulares nem reservas.
A Comissão Técnica de quinze nomes começou a perder o Tri no dia da convocação: chamou 45 jogadores. Começou a perder no exagero das convocações e até na piada de ter convocado o Ditão errado. Na lista estava escrito Gilberto Freitas Nascimento, o Ditão do Flamengo, quarto zagueiro, ruim de bola. Na cabeça dos técnicos da Comissão estava Geraldo Freitas Nascimento, o Ditão do Corinthians, valente zagueiro central. Com 45 jogadores, carregados de uma estância mineral para outra, a Comissão Técnica jamais conseguiu armar um time de onze. De Lambari a Liverpool, os homens da Seleção foram as cartas de um estranho baralho, mexido demais, manipulados e misturados até a exaustão, à procura de combinações que nunca deram certo. Entre viagens, discursos de prefeitos, desfiles e homenagens, houve o telegrama de um torcedor de Silvianópolis (MG), endereçado a Carlos Nascimento e que dizia simplesmente: "Remember 1950". Mas, na época, era mais importante levar a delegação para visitar a milagreira Nhá Chica de Baependi, carregando uma faixa com estes dizeres: "Nhá Chica, ajude esses rapazes a trazer o tri para o Brasil".
Ao assumir o cargo de técnico da Seleção, Saldanha assumiu também, deliberadamente ou não, funções que antes cabiam exclusivamente aos cartolas. Foi ele quem escolheu os lugares de concentração em Bogotá, Caracas e Assunção. E quando lhe perguntaram onde a Seleção ia treinar antes de viajar, ele respondeu: "O importante não é achar um lugar especial para a Seleção treinar. O importante é achar um campo bom, onde a bola corra e os jogadores não torçam o pé".
Na frase de Saldanha está também outra de suas preocupações: em qualquer Seleção, a parte mais importante é o jogador. A filosofia é até elementar: quando tudo está bem com os jogadores, tudo está bem com a Seleção. Uma prova disso: em Assunção, Saldanha surpreendeu um brasileiro vendendo objetos importados aos jogadores, dentro da concentração. Não disse nada. No dia seguinte, o vendedor apareceu novamente. Saldanha parou-o na porta: "Os jogadores estão muito satisfeitos com o que compraram. Já não precisam mais de nada. Assim, você pode ir embora".
O medo que acompanhou a Seleção de 1966, nascido da incerteza de ficar ou ser cortado, provocou  uma briga entre Silva e Fábio, outra entre Manga e Ditão, e contagiou o próprio treinador Feola, que perdeu a paciência depois de um jogo contra o País de Gales em Minas, no dia dos primeiros cortes: "Não sei de nada. Não adianta me perguntarem de cortes, nomes, números, nada. Isto aqui é um treino, não é a final da Copa do Mundo". Comentário feito por Gérson, depois desse jogo: "Acho que corri 360 minutos nessa partida. Mas vai ser sempre assim, pelo menos enquanto nao resolverem essa história de cortes e não ficarem apenas os 22 que vão a Londres".
Enquanto os nomes não saíam, a Seleção continuava viajando, e mudando a cada treino. Feola tentava justificar essas mudanças: "As alterações no time significam apenas a preocupação de observar os jogadores. É preciso que todos saibam disso, senão vão pensar que estou ficando maluco. Há jogadores que treinam bem e saem do time". Carlos Nascimento repetia que eram os jogadores que se eliminavam, dentro de campo.
A verdade é que a eliminação vinha de fora para dentro do campo de intranqüilidade criado pelo Comissão Técnica. Nas reuniões para corte de jogadores, todos os membros da Comissão Técnica apresentavam seus relatórios. Carlos Nascimento reunia os relatórios, via os nomes coincidentes e anunciava a decisão final.
Foi assim que surgiu a lista dos treze jogadores cortados na véspera do embarque para a Europa (entre eles Carlos Alberto, Djalma Dias e Paulo Borges - homens de Saldanha).
Sem mágicas, João Saldanha procurou simplificar o processo: "Bem que o Brasil tem mais de quarenta jogadores que podem ser chamados para a Seleção. Acontece que em campo só entram onze. Logo, não preciso mais do que 22 - onze titulares, onze reservas". Tratou logo de definir quem é titular, quem é reserva e ganhou a confiança de todos, justamente por ser um homem sem segredos. Diz Gérson, hoje: "Vocês sabem quem é que mais me incentiva nessa Seleção? O Rivelino. E eu posso dizer de coração: se ele entrar no time amanhã, eu vou torcer por ele, porque somos um grupo muito unido - o objetivo de todos é o mesmo. Duvido que isso acontecesse em 1966. Naquele tempo, o ambiente era péssimo. Nunca vi tanta desunião".
Arrasado pela imprensa por causa da decisão de levar à Europa 27 jogadores (cinco a mais do limite de inscrição), Feola desabafou: "Na hora das críticas eu sou o alvo de todos. Se não falo nada, dizem que estou dormindo. Se falo, dizem que estou falando demais. Se fico quieto, dizem que não mando nada. Se não mando, por que não criticam os que mandam?"
Feola tinha razão: a decisão de levar cinco jogadores a mais (para cortá-los poucos dias antes de a Copa começar) não era sua.
Problema desse tipo já não acontece com a Seleção atual. Saldanha assumiu toda a responsabilidade pelos jogadores convocados. A sua lista saiu sem nenhuma consulta a qualquer membro da cúpula da CBD. Alterar essa relação (fato que pode acontecer depois das eliminatórias) é função exclusivamente sua. Ninguém se intromete também na escalação do time. Isso, por um lado, significa dar muita força a um homem só mas por outro evita o trabalho de palpiteiros, como o sueco Gunnar Goransson, que, vestido com o uniforme da CBD, reunia a imprensa na Suécia - última exibição do circo antes da Inglaterra - para declarar: "Na estréia da Copa, o ataque do Brasil deve ser este: Jair, Alcindo, Pelé e Amarildo. Mas Amarildo não está bem e há possibilidade de Pelé entrar na ponta-esquerda".
Desembarcando em Madri, onde a delegação tinha chegado voando pelo mesmo DC-8 "Bandeirante Manuel de Borba Gato", que havia levado a Seleção à Suécia em 1958 e ao Chile em 1962 (pilotado pelo mesmo Capitão George Bungner, que, como das vezes anteriores, foi obrigado a deixar crescer barba e cavanhaque), João Havelange declarava: "Ninguém está mais preparado do que nós. No dia da estréia em Liverpool, teremos uma bagagem de trinta jogos-treinos. Nenhuma equipe começou a trabalhar tão cedo quanto o Brasil".
Entre a sentença de Havelange e uma frase de Pelé, ainda em Madri, depois do jogo Brasil 5, Atlético 3, havia a diferença da teoria para a prática: "A verdade é que ainda não temos uma seleção base".
Da Espanha, passando pela Escócia, a Seleção chegou à Suécia para um festival de jogos. Sempre acompanhada por uma multidão de cartolas, especialistas em dar festas (uma delas no próprio hotel em que os jogadores estavam hospedados, à qual eles não puderam comparecer, assim como não puderam dormir por causa do barulho).
Na Inglaterra, para os jogadores, a Comissão Técnica reservou um hotel pequeno e feio, que não ficava perto nem do campo de treino, nem do campo de jogo. Enquanto isso, João Havelange, acompanhado de vários cartolas, hospedava-se no mais luxuoso hotel de Manchester.
De 1966 a 1969, a mentalidade dos cartolas pode não ter mudado muito. Mas já experimentou uma evolução até certo ponto animadora: em Assunção, Antônio do Passo, chefe da delegação, prontificou-se a dormir no quarto de menor conforto da concentração, no Residencial Bonanza.
O jornalista Armando Nogueira cita o jogador Gérson como exemplo da mudança do Brasil de 1966 para o de agora: "Há uma diferença brutal entre o Gérson, jogador consciente de hoje, e o Gérson, rebelde e inconseqüente de 1966. O homem é o mesmo. O ambiente é que mudou". A responsabilidade de Gérson parece ser a responsabilidade de todo o time: eles estão decididos a ganhar a Copa do Mundo. E como sabem que sem preparo ninguém ganha a Copa - é ainda Armando Nogueira quem diz -, todos se esforçam. Uma prova disso é que, em termos de condição física, a Seleção está perto da perfeição. Na tática, o próprio Saldanha confessa que seu time não tem nenhuma inovação: "Futebol moderno é simples. Porque o ataque goza da vantagem da iniciativa, de chegar à defesa com a bola dominada, de contar com jogadores mais habilidosos, é preciso ter mais gente para defender. É isso que tento fazer. Em conseqüência, a necessidade de marcação é absolutamente importante. É básico, então, ter mais jogadores na defesa e menos no ataque sem perder o poder ofensivo. Para os que pensam que isso é uma contradição, digo que meus homens de ataque são Jair, Tostão, Pelé e Edu. Não concordo com os que dizem que a linha de zagueiros continua burra, ou mais burra ainda. É que para muitos só existe o líbero quando ele pode ser visualizado. Acontece que nesta Seleção o líbero pode tanto estar atrás, como pode estar dando cobertura a Rildo ou a Carlos Alberto, nas laterais. É uma simples equação matemática: se o adversário ataca com três e você tem quatro para defender, é lógico que sobra um". Saldanha pode lutar por suas idéias com todo entusiasmo, mas nos seus contatos com os jogadores tem mostrado uma qualidade fundamental: não força ninguém a decorar sua cartilha. Durante os jogos, diz suas observações e aceita as sugestões dos jogadores (o que é um meio de fazê-los mais responsáveis pelo resultado). Definiu tudo numa frase: "Nas vitórias, ou nas derrotas, a participação do técnico é apenas de 10%. Os outros 90% são mesmo dos jogadores, que parecem estar atingindo agora o mais alto grau de sua consciência profissional, num reflexo dos campeonatos regionais, onde os times dirigidos profissionalmente sempre ganham (Santos, Cruzeiro, Botafogo, Grêmio, Bahia)". O jogador de futebol deve ter compreendido que não é apenas o título mas o seu próprio futuro que entra em jogo numa Copa do Mundo. E essa profissionalização chegou à própria cúpula do futebol brasileiro, que prometeu aos jogadores a cota do jogo com o Atlético. Humildes, às vezes mergulhados até num estranho silêncio, os cartolas têm-se colocado no seu devido lugar, isto é, de lado.
Tudo irá bem e terminará bem, se ninguém sofrer uma recaída.

quinta-feira, 22 de março de 2012

IGREJA DO ROSÁRIO


Vista da Rua: Dr. Manoel Joaquim e ao fundo Praça Arthur Brasílio.
Ao fundo vista da Igreja do Rosário.
Ano: Final dos anos 60
Foto: Arquivo Sérgio Serva Rocha

TRISTE LEMBRANÇA

Antigo ponto de embarque (TREM) no bairro da Lavrinha.
Uma triste lembrança!


Foto: Antigo ponto de embarque. (TREM).
Local: Bairro da Lavrinha
Data: 18/03/2012
Autor: Sérgio Serva Rocha

sábado, 17 de março de 2012

VISTA BAIRRO BELÉM

Vista Parcial do Bairro do Belém
Casarão (DEMOLIDO) pertencente a família de Luiz Augusto Pereira
Data.: Final do anos 80
Autor: Sérgio Serva Rocha



FOLIA DE REIS




Folia de Reis realizada no bairro da índia - Sítio do Sr. Luiz Augusto Pereira.
Ano: Início dos Anos 70
Foto da Família do Sr. Luiz Augusto Pereira.

sábado, 25 de fevereiro de 2012


Texto: Eduardo Schnoor é autor da tese “Na Penumbra – O Entrelace de Família e Negócios. Vale do Paraíba 1770/1840” (USP, 2005). E organizador, com Hebe Mattos de Castro, de Resgate: uma janela para o oitocentos. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.
Revista de História.com.br
Publicação Biblioteca Nacional
Sudeste leal
Fazendeiros do Rio, de São Paulo e de Minas reuniram milhares de milicianos para abafar revoltas contra D. Pedro e garantir sua permanência no Brasil
Eduardo Schnoor
16/9/2009

·         Passar de Reino a Colônia
É desar (derrota)
É humilhação
que sofrer jamais podia 
brasileiro de coração

Na boca do povo, a quadrinha refletia o temor vivido no Brasil depois do retorno de D. João VI a Portugal, em 24 de abril de 1821. Apesar de ter deixado seu filho Pedro como regente, o soberano, de volta à terrinha, poderia adotar novas políticas centralizadoras, e até mesmo devolver o Brasil à condição de colônia.

Acirrava-se o antagonismo entre “brasileiros” e “portugueses”, até que, em dezembro daquele ano, veio de Lisboa uma ordem que deixou a situação ainda mais delicada: as Cortes determinavam o retorno de D. Pedro. Se ele acatasse, tudo poderia acontecer. As províncias seguiriam cada uma seu próprio caminho, ou, pior, como dizia a imperatriz Leopoldina, “uma Confederação de Povos no sistema democrático como nos Estados Livres da América do Norte”, referindo-se à independência dos Estados Unidos, ocorrida em 1776.

A Independência do Brasil, sob o comando de D. Pedro, parecia a única forma de evitar o risco de instalação de um regime republicano por aqui. Mas era preciso agir rápido, pois as tropas portuguesas ameaçavam embarcar o príncipe à força. Quem poderia enfrentá-las? A resposta coube aos principais senhores de terra de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Mobilizando tropas de milícias, eles estavam dispostos a pegar em armas para defender D. Pedro. E foi o que fizeram.

Paulo Barbosa da Silva, mineiro de Sabará, e Pedro Dias Pais Leme, fazendeiro em São João Marcos – importante comarca fluminense –, deslocaram-se por Minas Gerais e São Paulo para conseguir adeptos à permanência do príncipe. Tratavam com sua rede de conhecidos, que não era pequena: fazendeiros, tropeiros, boiadeiros e comerciantes que enriqueceram na economia mercantil de subsistência desde o século XVIII. Este grupo dominava as comarcas rurais, ocupando os principais cargos eletivos e o oficialato das milícias (forças armadas locais cuja oficialidade era formada pelos maiorais de cada região). Eles haviam feito do poder no Centro-Sul uma grande parentela.
A articulação obteve um importante feito político quando, em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro declarou no Rio de Janeiro, “para felicidade geral do povo”, que ficava, desobedecendo à ordem das Cortes. Era o primeiro rompimento. Iniciava-se um ano turbulento.

Em março, a mineira Vila Rica decide não obedecer mais ao príncipe. Dois meses depois, D. Pedro parte para Minas decidido a acabar com a revolta. No caminho, recebe adesões de peso: em São João D’El Rey aguardam-no os regimentos da Cavalaria de Milícias das Comarcas do Rio das Mortes e do Rio das Velhas, prontos para seguir com ele. O comandante do 1º Regimento do Rio das Velhas, Pedro Gomes Nogueira, era cunhado de Paulo Barbosa da Silva. Diante da força representada pelos regimentos de Cavalaria, Vila Rica recua.

Mas, em maio, é São Paulo que se levanta. Acontece a “bernarda” (revolta) de Francisco Inácio de Sousa Queirós, homem com grande força política no oeste da província. Pertencia às famílias governantes de Sorocaba, que eram opositoras ferrenhas dos Andradas e favoráveis ao príncipe, desde que tutelado pelas Cortes. Mais uma vez, D. Pedro viaja para enfrentar a revolta. Mais uma vez, os grandes proprietários o aguardam. A partir de São João Marcos, no Vale do Paraíba, forma-se uma Guarda de Honra em apoio ao príncipe. Os “Leais Paulistas” e os “Leais Mineiros”, como se autodenominavam estes milicianos, também marcham para o Rio de Janeiro a fim de se juntarem à defesa de D. Pedro. Mais de dois mil homens ficam a postos em Santa Cruz, no Rio, prontos para enfrentar a Divisão Portuguesa. Outros descem para São Sebastião e Mangaratiba, à espera de um possível desembarque marítimo português.

Em São João Marcos, aguardam o príncipe os irmãos do coronel Pedro Gomes Nogueira: os alferes Cassiano e Luís. O pai dos três,
Hilário Gomes Nogueira, mineiro de Baependi, (primo de Manuel Jacinto Nogueira da Gama, “o Baependi”, um dos grandes articuladores da Independência) hospeda em suas fazendas D. Pedro e os leais paulistas e mineiros. E o envolvimento da família não para aí: entre os genros de Hilário destaca-se o sargento-mor Brás de Oliveira Arruda, um dos mais poderosos fazendeiros do Vale, dono de mais de 300 escravos. No inventário dos seus bens, foi declarada uma riqueza de 360 mil contos de réis, livre de dívidas, o que representa três vezes e meia o capital de abertura do Banco do Brasil, em 1808. Suas fazendas em Bananal também servem de base para os milicianos. 

Um dos primeiros a se alistar na Guarda de Honra foi Joaquim José de Sousa Breves. Este homem, na época um rapaz de dezoito anos, representava os Moraes Breves, a principal família governante do Centro-Sul durante todo o século XIX. No Segundo Reinado, ele se tornaria um dos maiores proprietários de terras e escravos do Brasil. Ficaria conhecido como “O Rei do Café” e suas fazendas, como “Reino da Marambaia”.

Depois de pousar em Bananal, São Paulo, D. Pedro segue para Areias, onde se incorporam à Guarda João Ferreira de Sousa, dono da fazenda Pau D’ Alho, e seu filho Francisco. O príncipe é recebido em Lorena pelo capitão-mor Ventura José de Abreu, e em Guaratinguetá, por Manoel José de Melo, senhor do engenho Conceição, com seus mais de 33 mil hectares (ou 33 mil campos de futebol). Ventura, Manoel e Brás tinham sociedade em negócios de muares, cavalos e boiadas. Entre os anos de 1816 e 1817, os três respondiam por 70% dos animais comercializados  para o Rio Janeiro.
A chegada a São Paulo se deu no dia 25 de agosto à noite e em silêncio, pois havia ameaças de um atentado contra o príncipe. Sua presença foi fundamental para esvaziar a bernarda de Francisco Inácio. Depois esteve em Santos, para empossar o novo comandante de Armas. Então recebeu correspondência urgente do mensageiro Paulo Bregaro, que gastara 12 cavalos para vir a galope do Rio: eram cartas de Portugal (reforçando a ordem de embarque do príncipe), de José Bonifácio e da princesa Leopoldina (ambos aconselhando-o a não cumpri-la). Chegara o momento da Independência. 

Era o famoso 7 de setembro. Décadas depois, chamado a retratar o momento, o pintor Pedro Américo viu-se diante de uma dificuldade: a Guarda de Honra era formada por milicianos sem trajes específicos. Para compor a cena histórica, decidiu uniformizá-los. Esta militarização a eternizou como uma guarda oficial, algo bem distante do que realmente foi: a Guarda era fruto do apoio dos senhores da terra à Independência, com a manutenção dos Bragança no trono brasileiro. Aqueles homens não queriam mudanças. O que explica a adesão de tantos poderosos à defesa pessoal de D. Pedro.

A partir daquela data, os fazendeiros do Sudeste assumiam as rédeas da nação.

Eduardo Schnoor é autor da tese “Na Penumbra – O Entrelace de Família e Negócios. Vale do Paraíba 1770/1840” (USP, 2005). E organizador, com Hebe Mattos de Castro, de Resgate: uma janela para o oitocentos. Rio de Janeiro: Topbooks, 1995.

Saiba Mais - Bibliografia:

FAORO, Raimundo. “Formação do patronato político brasileiro”. In Os donos do poder. vol. 1., 2ª ed., rev. e ampl. Porto Alegre: Globo/Edusp, 1975.

LENHARO, Alcir. As tropas da moderação. São Paulo: Símbolo, 1979.

MATTOS, Ilmar Rohloff de. O tempo Saquarema: a formação do Estado Imperial. 3ª ed. Rio de Janeiro: Access, 1994.

OLIVEIRA, Cecília Helena Salles de. A Independência e a construção do Império. São Paulo: Atual, 1995.

TEXTO: Mônica Yumi Jinzenjié professora da Faculdade de Educação da UFMG e autora do livro Cultura impressa e educação da mulher no século XIX (UFMG, 2010).
REVISTA DE HISTÓRIA.COM.BR
Publicação: Biblioteca Nacional.
Filhas da Constituição
Durante o Império, ficou claro que, para alcançar o progresso, era preciso instruir também as mulheres
Mônica Yumi Jinzenji
1/8/2011
·         “Viva a nossa Santa Religião! Viva a Constituição! Viva a Sua Majestade D. Pedro II! Viva a Assembleia Geral Legislativa! e Viva o povo brasileiro!” Saudações como essas eram feitas por mulheres numa situação curiosa: durante os discursos de abertura dos exames públicos das escolas de primeiras letras. Dessa maneira, elas procuravam mostrar que a escolarização das meninas também era fruto dos esforços dos grupos políticos liberais, que se fortaleceram no período pós-independência defendendo a monarquia constitucional.
Os brados também significam uma conquista: finalmente as mulheres tinham um espaço nas escolas públicas do Império, como mestras e como alunas. Este avanço estava associado a uma política de Estado. Com o grito de Independência, o Império brasileiro se viu às voltas com um desafio: tirar a maioria da população da “ignorância” na qual estava mergulhada, colocando o país no mesmo nível das nações ditas civilizadas. A instrução da população foi vista como o meio para fazer do Brasil uma nação moderna, e a escolarização das meninas não poderia ser negligenciada. A legislação promulgada no dia 15 de outubro de 1827 determinava que as moças teriam estabelecimentos de ensino exclusivamente para elas, criados somente em cidades e vilas mais populosas, e providos por professoras.
As alunas teriam um curso que se concentraria em tópicos elementares: leitura, escrita, as quatro operações aritméticas, gramática, princípios de moral cristã e prendas domésticas, como bordados e demais trabalhos com agulha, estes últimos exclusivos na formação de meninas. Para os meninos se previa um conteúdo mais extenso, envolvendo o estudo dos decimais e proporções e as noções de geometria prática. Além de estabelecer o conteúdo a ser ensinado e os ordenados dos professores, a nova escola pública adotaria o método mútuo, desenvolvido na Inglaterra, que tinha como principal característica o ensino para centenas de alunos ao mesmo tempo. Os alunos eram agrupados por nível de conhecimento, e os monitores – alunos mais adiantados de cada grupo – ficavam responsáveis por repassar as lições para cada grupo.
Mas os primeiros estabelecimentos desse tipo voltados para as meninas só surgiram em 1828, na província de Minas Gerais, na capital, Ouro Preto, e nas vilas e cidades com maior concentração populacional no período: Mariana, Sabará, Tamanduá, Serro, Barbacena, São João del-Rei, Baependi, Campanha e Pitangui. Antes disso, as famílias mais abastadas da região contratavam professoras ou tutoras para suas filhas ou as matriculavam em escolas particulares, nas quais as professoras ensinavam os conteúdos elementares, e comumente ministravam aulas de francês, dança, piano e culinária.
A disparidade no número de escolas para meninos e para meninas era perceptível desde a criação das escolas públicas. Das 54 novas escolas criadas em Minas em 1828, apenas dez (18%) eram destinadas ao contingente feminino. Essa tendência continuou ao longo de todo o século XIX. Nas primeiras décadas, cerca de 8% do público escolar era composto de meninas, ao passo que no final do período imperial (1889) esse número subiu para 35%. Ainda assim, havia resistência das famílias. Para muitas delas, a saída das filhas de casa representava riscos de corrupção moral; para outras, as jovens eram indispensáveis nos serviços domésticos e em outras atividades que auxiliassem na manutenção familiar.
A criação de multas para as famílias cujos filhos em idade escolar não frequentassem estabelecimentos de ensino – definida em Minas Gerais pela Lei nº 13 de 1835 – é uma prova de que a escola enfrentou sérios percalços para ter sua importância reconhecida na sociedade. Se o número de meninos matriculados era irrisório e insatisfatório, a situação das meninas era ainda pior. O presidente da província de Minas Gerais, Bernardo Jacintho da Veiga (1804-1845), chegou a dizer, em 1840, que a educação das moças estava circunscrita aos “limites de uma educação doméstica, quase sempre acanhada, e bem ou mal dirigida segundo o caráter, hábitos e modo de pensar de cada um Pai de família”.
A legislação educacional procurava ordenar a atividade de professores e professoras desde o seu ingresso na carreira até as práticas profissionais cotidianas. Aquelas que queriam se tornar mestras tinham que se submeter a um exame que era avaliado por uma comissão formada por autoridades políticas locais. Além disso, mestres e mestras tinham que enviar ao presidente de província, trimestralmente, o livro de matrículas contendo o número de alunas, sua frequência e o nível de adiantamento em que elas se encontravam.
Esse controle era essencial num período em que os professores recebiam um salário proporcional ao número de alunos para os quais lecionavam. Além de relatar quantos estudantes frequentavam suas aulas, os professores tinham que realizar exames públicos semestrais, nos quais cada aluno era arguido sobre os conteúdos estudados diante de uma plateia composta de autoridades políticas e de populares. Anunciadas com antecedência, essas provas contavam com a presença do juiz de paz, e a imprensa local era responsável pela divulgação das datas e dos resultados dos exames.
O jornal O Mentor das Brasileiras (1829-1832), de São João del-Rei (MG), costumava noticiar assuntos relacionados às escolas de meninas e informar os dias das provas. Esses anúncios eram acompanhados de apelos para que os pais garantissem a presença das filhas, já que as ausências eram frequentes e consideráveis, chegando a cerca de 50%. Na vila de São João del-Rei, em 1829, das 43 alunas matriculadas, 34 compareceram ao exame; em 1832, das 71 matriculadas, somente 30 compareceram ao exame. De acordo com as professoras, o excesso de chuvas era um dos motivos que mais impossibilitavam o deslocamento das alunas até o local dos exames. Mas muitas das mais humildes também se ausentavam pelo constrangimento de não poderem se vestir com o mesmo luxo das mais abastadas. Havia também os casos de descompasso entre o aprendizado esperado e o efetivo de algumas estudantes, o que era facilmente notado diante de uma plateia.
Além desses argumentos, as professoras justificavam a baixa frequência aos exames e o baixo rendimento de algumas alunas alegando uma timidez proveniente do “despotismo” do qual foram vítimas. Era comum as docentes – nas páginas do referido jornal mineiro – atribuírem esse atraso ao antigo regime. Por outro lado, elas reverenciavam a Constituição de 1824 e a política liberal, que seriam responsáveis pelo investimento na instrução da população e, principalmente, das mulheres.
As provas eram momentos de grande satisfação, em especial para as alunas mais adiantadas, que atuavam como monitoras na rotina das escolas, recebiam orientações das mestras e coordenavam as atividades de um grupo de colegas previamente designado. Durante os exames públicos, elas usavam uma fita verde no ombro, onde se liam, em letras douradas, a sua função e a classe sob sua responsabilidade. Geralmente, elas dominavam todos os conteúdos, havendo casos de monitoras que, aos dez anos de idade, chegavam a substituir as professoras.
Seus nomes apareciam frequentemente com destaque em O Mentordas Brasileiras por causa do bom desempenho nos exames. Como o de D. Anna Cândida de Jesuz Alves S. Thiago e outras quatro alunas, moradoras da vila de São João del-Rei. Tendo sido aprovada nas doutrinas marcadas nos artigos 6 e 12 da Lei de 15 de Outubro de 1827, concluiu a instrução elementar em 23 de junho de 1830, com 13 anos. Mas a idade com que as alunas finalizavam as primeiras letras variava muito, assim como a faixa etária de seu ingresso na escola. A convivência entre crianças de idades diferentes era a característica dessas instituições de ensino, que as agrupavam por nível de adiantamento.
Para as alunas que se destacavam, a docência era uma das possíveis carreiras a seguir. São muitos os casos de meninas que deram continuidade ao bom desempenho escolar trabalhando como professoras em novas escolas de primeiras letras, depois de serem aprovadas em exame público e de apresentarem um atestado de boa conduta. É o caso de Maria Ricardina de Oliveira Novaes, que aos 16 anos, dois anos depois de concluir o curso de primeiras letras, foi aprovada, em 15 de março de 1832, para reger a escola de meninas da cidade de Campanha (MG).
Resultados como esse eram motivo de júbilo para as professoras que atuavam nos mais diversos corpos docentes durante o Segundo Reinado. A escola pública de primeiras letras seria, então, o espaço no qual, desde cedo, as meninas, utilizando a carta constitucional como primeiro material de leitura, seriam formadas dentro dos ideais liberais. E ainda podiam perpetuá-los em suas famílias e, eventualmente, como mestras.

Mônica Yumi Jinzenjié professora da Faculdade de Educação da UFMG e autora do livro Cultura impressa e educação da mulher no século XIX (UFMG, 2010).

Saiba Mais - Bibliografia

FARIA FILHO, Luciano M. de. (org.) A infância e sua educação; Materiais, práticas e representações (Portugal e Brasil). Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
LOPES, Eliane M. T.; FARIA FILHO, Luciano M. de; VEIGA, Cynthia G. (orgs.) 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.
MORLEY, Helena. Minha vida de menina. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
MUNIZ, Diva do C.G. Um toque de gênero: história e educação em Minas Gerais (1835-1892). Brasília: Editora Universidade de Brasília; Finatec, 2003.